PRECES E MENSAGENS

"TÁ DEREITO...":
21/09/2009

“TÁ DEREITO...”
Bom dia prá quem é de bom dia...
Boa noite prá quem é de boa noite...
Vou  contar uma estórinha... e quem quiser ouvir que ponha as zureba de pé... e quem não, vá fazer seu cafuné... ou brincar de burro em pé...
Tava por aí reinando sem ser rei, reinando como os erêzinhos reinam... sem pudores, sem regras, sem maldades...quando...
Aconteceu  num pequeno intervalinho das tarefas de resgate, o sobe e desce constante na prática da Caridade, quando de repentemente explodiu em minha cambuza um raio de luz vindo do céu de Iansã, com tanto estrondo e barulheira que me arriei no chão,  giramundo e tonteira, tudo estranho e sem controle, sem força de reação...
E aí nesse instantinho , lá do fundo ou lá de cima, sei lá, vem a pergunta matreira, ardilosa e sorrateira, pois quem a fez me enroscou, enrolou e entortou, pois não sou o indicado e tampouco capacitado a responder tal questão, carregadinha que é de muita filosofiazinha ...
“Quem és tu, Zézinho...?”
Me deu uma quentura no corpo, do cocoruto ao mindinho, fogo forte, iluminado, nada a ver com os inferninhos em que vou buscar alminhas pra suas redençõezinhas.
Depois de algum tempinho, que não me preocupei em contar, comecei  a me esforçar pra sacar essa resposta que passou a me incomodar... Que atrevido sou eu, me meter na barafunda da natureza humana, ainda que pequenininha como a minha, e que na espiritualidade só os Mestres podem nos ensinar com sua sabedoria ? Lembrei do Chico que na sua imensa luz se dizia um cisco... !
Quis deixar isso pra lá e concluí que devo ainda viver muitas encarnações, se essa graça me for concedida, e talvez, um dia, responder a essa questãozinha tão intrincadazinha... mas... eis que um amigo, irmão e Mentor Espiritual da Fraternidade de Cáritas, que tantas oportunidades e ensinamentos tem me dado, e que na sua humildade verdadeira quis ficar incógnito, me disse, com a doçura e o amor que lhe são peculiares :  “Zézinho, busca dentro de  ti mesmo a resposta e expõe o que aí encontrares, e na tua simplicidade hás de conhecer-te melhor e oferecer a muitos,sem receios e vaidades, a pureza de teu amor...!”
Depois disso, refleti , pois acreditem, eu “réflito” também, e decidi convidar meu amigo terreno, o bom “jegue” que me empresta a carcaça, para realizar essa aventura...e o “cabra” topou...!  Assim, sem mais delongas , lá vai chumbo cambada de pedintes...!!!
“Tá dereito...!”
“ QUEM ÉS TU, ZÉZINHO...? ”
 Nos primeiros sete anos, do nascimento a infância, calculados mais ou menos, nem lembranças, nem notícias, nem registros. Vivi toda a encarnação sem absolutamente nenhuma referência quanto a laços familiares ou mesmo qualquer parentesco ou indício de origem.  Fui rebento do mundo, origem desconhecida, talvez geração espontânea da teoria darwiniana - aprendi essa boniteza de explicação da ciência como aluno da escola na pátria espiritual - e agora faço graça pra tapar esse buraco, que tão fundo tem seu piso, que até hoje não diviso nada melhor pra dizer que as bestagens que vão adiante...   
Tenho ao menos uma certeza : fui parido por uma mulher, que depois eu mesmo batizei , dei o nome a minha mãe de Maria da Conceição, como a santa da Igreja ... mais tarde fui descobrir que ela era a Rainha do Mar, minha adorada mãezinha, adoiá Yemanjá... O pai também eu criei, o cabra fecundador, lá na bela São Salvador da Bahia , era na minha imaginação um valente pescador, chamei ele de Pedro, sobrenome Pescador...  
Aos sete , acredito,foi quando me despertei e dei conta de mim mesmo, a quem chamavam de Zézinho, pequeno pescadorzinho, aprendiz de jangadeiro, iniciado na capoeira que jogava com bom gosto, piruetando no ar, atacando e defendendo, a areia era meu terreiro, o coqueiro minha casa e a jangada minha nave que me devolvia pra dentro da barriga imensa de minha mãezinha querida, nas águas do mar “sagado, sagado”, salgado e sagrado, sagrado e salgado, a ordem não vou contar...
Assim fui devagarinho, crescendo, aprendendo,ensinando, aprontando peripécias, fiquei maduro depressa,com catorze tava homem, “arrudeado de muler”, jangadeiro já formado, cirandeiro destacado...sem temor nem amargor vivia na natureza, nem passado nem futuro, cada dia era um mundo novo a viver. Algumas vezes, confesso, dava uma dor indefinida na alma e eu ficava acabrunhado por um tempo, sem entender ou tentar entender essa força poderosa que me fazia ficar fechado, encolhido como uma tartarugazinha no casco.
Um dia me arretei, e de tanto ouvir falar, fui pro interior da Bahia e  sertões do Brasil, fui viver na caatinga, e lá passei um bom tempo, vagando e tocando gado, boiadeiro me tornei, assuprando o berrante, muita festa celebrando, bebendo, dançando e cantando, nos folguedos e na grandiosa Festa de São Joâo.  Na minha religiosidade que tava aberta a qualquer experiência, me peguei em Nosso Senhor do Bonfim, que é o nosso Pai Oxalá, que valeu-me todo o tempo , mòrmente nas enrascadas...    Também pude viver como barqueiro no maravilhoso rio São Francisco.   Trabalhei como artesão e apanhador de cocos e castanhas.
Seguindo  ainda mais pra dentro do continente, ainda vivi em quilombos dos escravos africanos, libertos mas não livres, e em ocas de caboclos nas matas de  Oxóssi e reino da Jurema. Garimpei nos rios onde as cachoeiras da Oxum me purificavam... nas rochas e cavernas das pedreiras de Xangô onde consegui “bamburrar” e extrair pequenas pedras, pepitas e cristais.
Encontrei e me ajustei a bandos de cangaceiros... dos piores aos justiceiros...até que Ogum guerreiro me mandou de volta pra beira-mar...Foi uma benção pois eu tava me complicando...
 Novamente fui pro mar...as ondinas me receberam com seu amor maternal e me disseram : aqui é teu lugar...!
Assim, toda a magia dos acontecimentos de minha existência terrena foi o fundamento de minha passagem. Na volta ao litoral baiano, mais intensa tornou-se minha experiência nos terreiros de Candomblé e Umbanda da Bahia, onde fui ogan e atabaqueiro...
E aí chegou a hora de voltar pro mundo espiritual.  Vivia na cidade baixa em Salvador, região do Mercado Modêlo e da Baixa do Sapateiro onde me desencarnei  de “dregau”, lutando capoeira com navalha entre os dedos dos pés, nos desafios de coragem dos desajustados como eu era, - ou sou ainda ? -escorreguei no degrau do local da luta e o adversário cortou minha jugular. Sei que não é agradável falar de assunto tão ignóbil, mas essa demonstração de ignorância espiritual é a expressão da  verdade que não deve ser omitida e servir de exemplo do que não deve ser feito!           
Nesse mesmo bêco, anos depois, já desencarnado, foi onde reencontrei-me  com o meu querido “jegue”, Álvaro Boi Gordo - apelido carinhoso atual, pois antes era um “pau de virá tripa” -, amigo e irmão, a quem acompanho desde então e que quando entrou no desabrochar da mediunidade permitiu que eu viesse a me manifestar e prosseguirmos juntos, às vezes com muitas rusgas, em nossa senda de progresso espiritual nas lides da Umbanda.
Atualmente,no meu plano de existência, estou a serviço da Fraternidade de Cáritas, Núcleo Espiritual Deus Conduz, Terreiro de Umbanda Branca Esotérica, consagrado a Oxalá.
QUEM SOU EU ?
Sou um baianinho arretado em transformação evolutiva  cuja sensibilidade se transfigura em uma multiplicidade de formas e seres e que sente a vida plena correr em todo o meu ser.
Sou a gente humilde, pobre e ignorante que são a maioria dos encarnados nesse planeta...                                                                                                           Sou o pescador, sou o marinheiro, sou o barqueiro, sou o jangadeiro, sou o canoeiro que vivem ao sabor das marés e correntes dos rios, que lêem os sinais de Deus em todos os movimentos das águas, dos céus, dos astros...que vão buscar e multiplicar os peixes e alimentos das águas divinas..
Sou o boiadeiro, sou o tropeiro, sou o pastor que tratam e entendem a línguagem dos animais e que produzem o alimento e o leite que ainda são importantes para a sobrevivência humana no planeta...
Sou o plantador, sou o seringueiro, sou o colhedor dos frutos da terra, sou o agricultor, sou o garimpeiro, sou o mineiro que vivem na crosta e nas profundezas da terra e que cuidam dos vegetais , alimentos e flores , e dos minérios e minerais com que se constroem as obras da  matéria.
Sou o trabalhador incansável das grandes aglomerações humanas, dedicado, sofrido, de todas as profissões, nobre e determinado a cumprir sua tarefa de sustento da prole..
Quem sou eu?  Sou o criminoso, sou  a prostituta, sou o ladrão, sou o vendilhão do templo, sou parte dos que erram, que falham, que causam e sofrem dores...Sou o sofredor, sou o zombeteiro, sou o hipócrita,sou o obsidiado, sou o obsessor, sou o enganador, sou o descontente, sou o ingrato, sou o invejoso, sou o lamuriento, sou o portador de chagas, de doenças incuráveis, sou o mau caráter, sou o imoral, sou o traidor, sou o corrupto, sou o fraco, sou o depressivo, sou o espírito em provas e expiações...
Sou o benfeitor, sou o protetor, sou o pacificador, sou o evangelizador, sou o professor, sou o doutrinador, sou o anjo da guarda, sou o cientista das pesquisas pró-saúde, sou o trabalhador anônimo da seara do bem, sou o trabalhador espiritual sem limites de tempo e de espaço, sou o espiritualista que pratica o Amor, a Caridade e a Fraternidade, sou o médium responsável , abnegado, estudioso, compromissado com a Verdade...
Sou o pai, sou a mãe, sou os avós, sou os filhos e filhas do mundo, sou o amigo, sou o inimigo, sou o perdido na ignorância, sou o miserável, sou o faminto, sou o enfermo , do corpo e da alma, sou o pequeno, sou o insignificante, sou parte da boiada humana tangida pela Lei Divina...
Sou o índio tupi-guarani das florestas atlântica e amazônica , caboclos de todas as tribos, sou o escravo africano, de todas as nações e raças da África, sou o Erê, sou o Cigano, sou o Exú, sou a Pomba-Gira, sou do Oriente, pertenço a todas as Linhas , Legiões e Falanges da Luz e das Trevas,sou o Médico , sou o Enfermeiro , sou o Cambono e o Assistente, sou das Correntes dos Pacificadores do Espaço, sou um serviçal, servidor, empregado,funcionário, atendente, obreiro, uma gôta no oceano...
Sou  um espírito mensageiro dos Orixás,sou das Sete Linhas de Umbanda,sou de Aruanda, sou de Nova Alvorada, sou do Jardim da Luz, sou Zambi, sou Tupã, sou Jaci, sou Guaraci, sou os elementais da Água, da Terra, do Ar e do Fogo,para que eu possa atuar dentro da terra, nas regiões ígneas e geladas, na atmosfera e altitudes montanhosas, nas profundezas dos oceanos, sou os Gênios dos Quatro Pontos Cardeais, do Norte, do Sul, do Leste, do Oeste, para que eu posa agir em todos os quadrantes e continentes do planeta...
Sou o sorriso e a lágrima, sou a alegria e a tristeza, sou o bem e o mal, sou o dia e a noite, sou o homem e a mulher, sou a luz e as trevas...
Sou o que tu escolheres em mim...
Seja o que for, sei que sou um pouco de Tudo e muito de Nada...
Mas...como me conhecem como Zézinho da Bahia, sou pra vocês apenas o Embaixador da Felicidade...!
“Saravá minha Mãe Yemanjá, das águas do Mar Sagado, Sagado..”
DEUS CONDUZ




Rua Luis Gama, 117 - Santos / SP - cep 11015-151 - tel 13 3223.4686